O resultado das eleições deste domingo, 4 de outubro, deixou um recado forte e direto ,a direita avançou com força justamente na Casa que pode mudar a relação entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. O PL elegeu 19 senadores e passará dos atuais 15 para 28 integrantes a partir de 2027, formando a maior bancada do Senado ,das 54 vagas que estavam em disputa, mais de um terço ficou com o partido, que ainda conseguiu eleger seus dois candidatos no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina. Para uma eleição na qual o controle do Senado se tornou uma das principais prioridades da direita, o resultado não poderia ser tratado apenas como mais uma vitória partidária
O tamanho dessa mudança aparece ainda mais quando se olha para os adversários, enquanto o PL chegará a 28 senadores, o PT terá nove e o MDB oito, PP e Republicanos terão seis cada. O partido de Flávio Bolsonaro, portanto, terá sozinho praticamente um terço das 81 cadeiras e uma bancada mais de três vezes maior que a do PT, segundo a Rádio Senado, será a segunda maior bancada de um único partido na Casa desde a redemocratização. Não é difícil entender por que a disputa pelo Senado ganhou tanta importância durante a campanha ,a direita passou anos sofrendo com as decisões do Supremo, principalmente as de caráter monocrático, e denunciando um avanço da Corte sobre atribuições do Legislativo. Desta vez, em vez de concentrar toda a atenção na Presidência da República, colocou parte importante de sua força eleitoral justamente na escolha dos senadores
O Senado deixou de ser coadjuvante

O resultado mostrou que essa estratégia encontrou respaldo nas urnas. O PL não apenas venceu em estados tradicionalmente fortes para a direita como também conseguiu dobradinhas em cinco unidades da Federação, em Minas Gerais, por exemplo, Domingos Sávio, candidato da direita é crítico declarado do Supremo, ele conquistou uma das vagas. Em outros estados, candidatos identificados com a mesma pauta também avançaram, é aí que está uma das consequências mais importantes da eleição. A direita não ganhou apenas mais espaço para fazer discursos contra o Supremo. Ela aumentou sua presença dentro da instituição que tem poder constitucional para julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Durante anos, esse detalhe parecia ter sido deixado em segundo plano. Agora virou parte central da disputa política.
O número que começa a preocupar o Supremo
A conta do impeachment ajuda a mostrar por que o novo Senado ganhou tanta importância, são necessários 54 votos para condenar um ministro do STF e determinar a perda do cargo. O número sempre pareceu distante para a direita, principalmente porque não bastava ter parlamentares dispostos a criticar a Corte , era necessário construir uma maioria de dois terços da Casa ,e após a eleição, levantamentos publicados pela imprensa passaram a apontar um grupo muito maior de senadores favoráveis ao impeachment de integrantes do Supremo. A Folha contabiliza ao menos 49 integrantes da composição que assumirá em 2027 posicionados a favor da medida, cinco abaixo dos 54 necessários para uma condenação, o próprio jornal registra que o fortalecimento desse grupo está ligado diretamente à eleição de candidatos de direita, cinco votos, essa é a distância que separa o grupo identificado pelo levantamento do número constitucional necessário para afastar um ministro. Depois de tantos anos em que pedidos de impeachment pareciam destinados a acumular poeira no Senado, a mudança é enorme ,e o cenário já repercute dentro do próprio Supremo. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pela Folha, ministros passaram a enxergar risco concreto de processos de impeachment a partir de 2027 e integrantes da Corte avaliam buscar diálogo com setores considerados mais moderados do PL. Independentemente do sucesso dessa movimentação, o simples fato de ela estar sendo discutida mostra como o resultado das urnas mudou o ambiente político em Brasília
A direita finalmente mirou onde precisava

Durante anos, uma parcela expressiva da direita concentrou suas críticas no Supremo sem possuir força suficiente dentro do Senado para transformar essa insatisfação em pressão institucional efetiva, o erro era evidente n porque não adiantava eleger uma Câmara cheia de deputados dispostos a enfrentar o STF enquanto o Senado permanecesse incapaz ou sem disposição política para levar adiante os pedidos contra ministros mas em 2026 essa prioridade mudou. Dois terços das cadeiras estavam em disputa, uma oportunidade que só aparece dessa forma a cada oito anos. Eram 54 vagas capazes de alterar profundamente a composição da Casa e a direita entrou na eleição sabendo exatamente o peso dessa disputa e o resultado está aí. O PL chegará a 28 senadores e terá uma bancada de tamanho suficiente para assumir um protagonismo que nunca teve no Senado. Não precisará depender de uma ou duas vozes isoladas para colocar determinados assuntos em discussão. Passará a representar um bloco político que, somado a parlamentares conservadores de outras siglas, terá peso suficiente para fazer do enfrentamento ao protagonismo do Supremo uma das grandes pautas da próxima legislatura ,esse talvez seja o ponto mais importante de toda a eleição para quem acompanhou os conflitos entre direita e STF nos últimos anos. Pela primeira vez, a crítica ao Supremo veio acompanhada de uma estratégia eleitoral concentrada justamente no Senado.
O resultado vai muito além do PL
Um detalhe bem interessante é que o movimento conservador no Senado não termina na legenda poque existem parlamentares de outros partidos que compartilham críticas ao STF e já se manifestaram favoravelmente ao impeachment de ministros e é justamente essa soma que leva os levantamentos pós eleição para perto dos 54 votos ,isso muda completamente o peso político da pauta, porque até ontem, falar em impeachment de ministro do Supremo era frequentemente tratado em Brasília como uma ameaça sem votos suficientes para sair do papel. A partir da nova legislatura, essa certeza desaparece. Quando um levantamento encontra 49 senadores favoráveis à medida e o número necessário é 54, a discussão deixa de acontecer apenas na periferia do Congresso e chega muito mais perto do centro do poder ,o avanço também ocorre depois de anos marcados por confrontos entre parlamentares conservadores e ministros do Supremo, principalmente porque ministros estariam indo além de suas atribuições em vários momentos, causando um indignação coletiva e uma insegurança jurídica, além de claro decisões monocráticas, a autoritárias, Alexandre de Moraes se tornou o principal alvo dessa reação, mas não é o único nome envolvido em pedidos de impeachment , a própria campanha ao Senado foi marcada por candidatos que prometeram endurecer a postura da Casa diante da Corte.
Uma eleição que pode mudar a relação entre Senado e STF
O resultado de domingo ainda será analisado por muito tempo, mas uma mudança já está evidente ,o Senado que assumirá em fevereiro de 2027 será politicamente muito diferente daquele que atravessou os últimos anos ,o PL saiu da eleição como seu principal vencedor partidário. Elegeu 19 nomes de uma vez e chegará a 28 integrantes. O PT ficará com nove. A diferença entre as duas bancadas mostra o tamanho do avanço obtido pela direita justamente na Casa que se tornou prioridade de sua estratégia eleitoral ,o Supremo também percebeu essa mudança. Se antes os pedidos de impeachment podiam ser ignorados sem grande custo político, agora existe uma bancada muito maior disposta a transformar o tema em pauta nacional. O Senado que emerge das urnas tem mais conservadores, um PL muito mais poderoso e um grupo expressivo de parlamentares que já declarou apoio ao afastamento de ministros.
É por isso que a vitória da direita no Senado talvez seja tão importante quanto qualquer outro resultado deste primeiro turno. A Presidência ainda será decidida no dia 25 de outubro, mas a composição do Congresso já começou a ser definida e nela existe uma mudança que não depende do segundo turno: a direita conquistou uma força inédita no Senado, justamente um cenários de desesperança e medo ,e durante anos, milhões de eleitores ouviram que o impeachment de ministros do Supremo era uma pauta sem votos, sem espaço e sem força para avançar. Depois de domingo, essa resposta ficou muito mais difícil de sustentar , a direita precisava crescer no Senado e cresceu. O PL precisava transformar sua força eleitoral em cadeiras e conseguiu. Quem defendia uma reação mais firme ao STF precisava aproximar o número de votos dos dois terços exigidos e saiu das urnas muito mais perto desse objetivo , o recado de 2026, portanto, não ficou apenas no tamanho das bancadas. Ele chegou diretamente à relação entre o Senado e o Supremo. E depois de anos em que o STF esteve no centro da política brasileira, a próxima legislatura pode marcar o momento em que o Senado decide voltar a ocupar o espaço que seus eleitores esperam dele.
