O resultado merece atenção não por representar uma deterioração súbita da imagem presidencial — a rodada anterior registrava 51% de desaprovação e 46% de aprovação —, mas porque confirma que Lula continua entrando na fase decisiva da campanha com saldo negativo diante do eleitorado. A movimentação de apenas um ponto percentual está dentro da margem de erro e não altera o quadro político central: existe hoje uma parcela maior do país rejeitando o desempenho presidencial do que aprovando-o.
Para um presidente que disputa a reeleição controlando a máquina federal, contando com ampla exposição institucional e chegando ao fim de mais um mandato no Palácio do Planalto, permanecer abaixo de 50% de aprovação não é um detalhe estatístico confortável. É um sinal claro de dificuldade política.
A avaliação do governo é ainda mais incômoda para o Planalto

A distância entre as avaliações negativa e positiva chega, portanto, a dez pontos percentuais.
Esse dado desmonta a tentativa de tratar a insatisfação como uma reação concentrada apenas na figura de Lula. A rejeição alcança a própria administração. Depois de anos de governo, gastos públicos elevados, aumento da carga tributária em diferentes frentes e constantes conflitos em torno da condução fiscal, quase metade dos entrevistados escolhe diretamente as classificações “ruim” ou “péssima”.
A Presidência pode investir em publicidade, anúncios e discursos otimistas, mas eleição é decidida pela percepção acumulada do eleitor. Quando 46% classificam negativamente a gestão e apenas 36% fazem uma avaliação positiva, o governo começa a campanha decisiva carregando um passivo político que não desaparece com mudança de slogan.
A economia torna mais difícil vender uma sensação de tranquilidade
A pesquisa não permite afirmar que cada eleitor desaprova Lula especificamente por inflação, juros ou política fiscal. Seria metodologicamente errado estabelecer essa relação direta sem que a pergunta tivesse sido feita. O ambiente econômico existente durante a coleta, no entanto, ajuda a entender por que o governo encontra dificuldades para construir uma narrativa convincente de prosperidade.
O Boletim Focus divulgado também nesta terça-feira projeta inflação de 5% em 2026. A meta perseguida pelo Banco Central é de 3%, com limite superior de tolerância de 4,5%. Portanto, mesmo depois da pequena redução da projeção, a expectativa do mercado continua acima do teto estabelecido para a inflação. A Selic está atualmente em 14% ao ano, e o mercado projeta crescimento de apenas 1,93% para o PIB em 2026.
Os números fiscais também impedem qualquer leitura despreocupada. Dados oficiais do Banco Central mostram que a dívida bruta alcançou 82,5% do PIB em julho, enquanto o setor público acumulava déficit primário de R$ 89,3 bilhões em doze meses, equivalente a 0,67% do PIB. No mesmo período, os juros nominais chegaram a R$ 1,15 trilhão, ou 8,67% do PIB.
Para quem defende responsabilidade fiscal, redução do tamanho do Estado, segurança jurídica e um ambiente econômico mais favorável ao investimento privado, esse conjunto está muito distante de ser motivo para comemoração. O Brasil continua convivendo com juros extremamente elevados, dívida pública pesada e inflação projetada acima do limite da meta.
A conta dessa política não fica restrita aos relatórios de economistas. Juros elevados encarecem financiamento, crédito imobiliário, capital de giro e investimentos empresariais. Inflação reduz poder de compra. Deterioração fiscal mantém pressão sobre expectativas futuras. Esse ambiente limita a capacidade do governo de convencer uma parcela relevante da população de que a condução econômica merece continuidade.
A eleição começa a transformar rejeição ao governo em risco concreto para Lula

O aspecto politicamente mais perigoso da nova pesquisa aparece quando a avaliação do governo é colocada ao lado dos cenários eleitorais.
No principal cenário de primeiro turno divulgado pela Nexus, Lula registra 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro aparece com 35%. O presidente ainda mantém vantagem nessa etapa, mas o movimento entre as duas últimas rodadas favoreceu o candidato do PL: Lula permaneceu em 39%, enquanto Flávio avançou de 33% para 35%.
A simulação de segundo turno é ainda mais relevante. Flávio Bolsonaro registra 46% e Lula, 45%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, existe empate técnico, e seria incorreto apresentar a diferença de um ponto como liderança consolidada. Politicamente, porém, a inversão numérica merece atenção: na rodada anterior, Lula tinha 46% e Flávio, 45%. Agora as posições aparecem invertidas.
Para a direita, esse resultado mostra algo que durante muito tempo foi tratado como improvável por adversários: existe um caminho eleitoral concreto para retirar o PT do Palácio do Planalto em 2026.
A disputa ainda está aberta e nenhum candidato pode tratar um empate técnico como vitória antecipada. A oposição precisa ampliar apoio entre eleitores que rejeitam Lula sem necessariamente se identificarem automaticamente com um candidato da direita. Transformar desaprovação ao governo em voto exige campanha organizada, propostas econômicas claras e capacidade de mostrar ao eleitor qual seria a diferença prática de uma administração comprometida com responsabilidade fiscal, liberdade econômica, segurança pública e redução da interferência estatal.
Lula também enfrenta rejeição pessoal elevada
Outro número importante da pesquisa está no potencial de voto. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro aparece com rejeição de 50%. Os dois, portanto, enfrentam índices elevados e estatisticamente muito próximos.
No caso do presidente, o número representa um obstáculo particularmente sério porque Lula já ocupa o cargo e possui um grau de conhecimento praticamente universal entre o eleitorado. Um candidato menos conhecido pode tentar reduzir rejeição conforme amplia sua exposição. Um presidente que comandou o país em diferentes mandatos possui muito menos espaço para depender simplesmente de apresentação pessoal ao público.
Quem rejeita Lula conhece Lula.
O desafio do petista é convencer parte desse eleitorado a rever uma opinião construída durante anos de presença política. Em uma eleição apertada, uma rejeição próxima da metade do país impõe um teto difícil de ignorar.
Para a direita, também existe uma advertência estratégica. A rejeição de Flávio Bolsonaro está praticamente no mesmo patamar. Uma campanha oposicionista eficiente não pode depender apenas do sentimento anti-Lula. Precisa oferecer razões positivas para o eleitor escolher uma mudança de governo.
A diferença entre oposição eleitoral e alternativa de poder aparece justamente nesse ponto. Criticar o atual governo é necessário; apresentar uma direção econômica e institucional melhor é o que transforma essa crítica em maioria eleitoral.
A máquina pública não conseguiu entregar ao governo uma maioria de aprovação

Mesmo com todas essas vantagens naturais de quem ocupa o Palácio do Planalto, chega a setembro de 2026 com 50% de desaprovação.
Esse é o número que deveria preocupar profundamente o PT.
Um governo realmente bem avaliado esperaria entrar na campanha pela reeleição sustentado por uma maioria confortável de eleitores satisfeitos com seus resultados. Lula chega à reta decisiva tentando conquistar novamente uma parcela do país que, depois de acompanhar sua administração durante praticamente quatro anos, afirma desaprovar seu trabalho.
A dificuldade não nasceu durante a campanha eleitoral. A campanha apenas tornou impossível escondê-la.
A direita tem diante de si uma oportunidade eleitoral real
A pesquisa BTG/Nexus não decreta derrota de Lula. Pesquisa eleitoral é fotografia de um momento e possui margem de erro. Tratar qualquer levantamento isolado como resultado antecipado seria substituir análise por torcida.
O que os números permitem afirmar é suficientemente importante: Lula não entra na reta final como um presidente politicamente confortável. Metade dos entrevistados desaprova seu trabalho, a avaliação ruim ou péssima do governo supera em dez pontos a avaliação ótima ou boa e um candidato de direita já aparece numericamente à sua frente em uma simulação de segundo turno.
A direita brasileira tem, portanto, uma oportunidade concreta de transformar insatisfação com o governo em mudança política.
Para aproveitá-la, precisa manter o debate onde Lula enfrenta suas maiores vulnerabilidades: responsabilidade fiscal, custo do Estado, ambiente de negócios, segurança pública, liberdade econômica, eficiência administrativa e qualidade dos serviços pagos por uma sociedade submetida a uma carga tributária pesada.
Não há razão para aceitar a tese de que a permanência do atual projeto de poder seja inevitável. Os próprios números mostram um país profundamente dividido e um presidente incapaz, até aqui, de construir maioria de aprovação.
O dado mais preocupante para Lula não é uma queda; é a permanência da rejeição

A realidade é politicamente mais incômoda para o governo: o tempo passa e o saldo negativo continua.
Faltando poucas semanas para o primeiro turno, Lula permanece com mais eleitores desaprovando do que aprovando seu desempenho. Quase metade classifica sua administração como ruim ou péssima. Na principal simulação contra Flávio Bolsonaro, a disputa chegou a um empate técnico com vantagem numérica do candidato do PL.
O governo teve praticamente quatro anos para apresentar seus resultados ao eleitor. Agora a avaliação será feita nas urnas.
Para quem defende uma mudança de rumo baseada em responsabilidade fiscal, Estado mais eficiente, segurança jurídica e maior liberdade para produzir e empreender, a pesquisa desta terça-feira oferece uma conclusão importante: derrotar o projeto petista em 2026 deixou de ser apenas uma ambição da oposição.
É uma possibilidade eleitoral concreta.
Metodologia: a 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores por telefone entre 4 e 7 de setembro de 2026, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoralsob o número BR-06790/2026.
