O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado relator de um mandado de segurança que pede a divulgação de registros de entrada e saída do Senado Federal. Entre as pessoas cujas informações são solicitadas estão Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do próprio ministro,e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. o processo chegou à Corte depois de uma disputa iniciada fora do STF. O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR) havia solicitado ao Senado, por meio da Lei de Acesso à Informação, dados sobre a circulação de diversas pessoas nas dependências da Casa. O pedido foi negado, e Kilter recorreu à Justiça Federal do Paraná. Além de Viviane e Vorcaro, a solicitação inclui nomes como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a juíza Thaís Sampaio Machado, da 1ª Vara Federal de Curitiba, entendeu que o caso não poderia permanecer na primeira instância. O motivo está na autoridade indicada como responsável pelo ato contestado: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A magistrada reconheceu a incompetência da Justiça Federal do Paraná e determinou a remessa do processo ao Supremo, Protocolada no STF, a ação passou pelo procedimento de distribuição e acabou nas mãos de Moraes , segundo a CNN Brasil, o ministro foi escolhido por sorteio entre dez integrantes da Corte. Portanto, a chegada do processo ao seu gabinete não decorreu de uma escolha feita pelo próprio magistrado, a coincidência, porém, cria uma situação jurídica incomum: uma das pessoas mencionadas no pedido de informações é justamente sua esposa.
Impedimento e suspeição entram na discussão

Suspeição segue uma lógica diferente. Enquanto o impedimento está associado a situações objetivamente previstas na legislação, a suspeição alcança circunstâncias relacionadas à imparcialidade do julgador e às suas relações com os envolvidos. A existência desses institutos permite que determinadas situações sejam examinadas antes que o magistrado continue conduzindo o processo, no caso distribuído nesta semana, ainda não havia decisão de Moraes sobre o pedido até a tarde desta segunda-feira, 21 de setembro. A CNN informou que o ministro pode declarar impedimento ou suspeição e solicitar ao presidente do STF, Edson Fachin, uma nova distribuição, a presença do nome de Viviane entre as pessoas cujos registros são buscados não permite, isoladamente, afirmar qual será o enquadramento jurídico adotado. A decisão sobre eventual afastamento depende da aplicação das regras processuais às características concretas da ação, há ainda uma particularidade: o mandado de segurança não tem Viviane necessariamente como autora ou ré da causa. O objetivo apresentado pelo vereador é obter do Senado informações que também dizem respeito a ela. Essa distinção é relevante porque as regras de impedimento não podem ser aplicadas apenas a partir da associação familiar, sem considerar a posição jurídica ocupada pelas pessoas dentro do processo.
A ligação com o Banco Master amplia a repercussão
A presença de Daniel Vorcaro no pedido colocou o novo processo dentro de uma controvérsia que já vinha ocupando o noticiário nacional. O ex-controlador do Banco Master aparece em investigações e reportagens que também abordam relações profissionais e contatos envolvendo integrantes do Judiciário, Viviane Barci é sócia do escritório Barci de Moraes, que prestou serviços jurídicos ao Banco Master. A relação profissional entre o escritório e o banco já havia colocado a família do ministro no noticiário antes da distribuição do novo mandado de segurança. nos últimos dias, outro episódio ampliou essa exposição. O escritório confirmou que Moraes participou de voos operados pela Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro. Segundo a manifestação do Barci de Moraes, o escritório contratava serviços de táxi aéreo e a Prime Aviation estava entre as empresas utilizadas. A nota afirma que Vorcaro não esteve presente nos voos realizados com integrantes do escritório.
O episódio também gerou questionamentos porque, meses antes, o gabinete de Moraes havia divulgado uma nota negando que o ministro tivesse utilizado aeronaves de empresas ligadas ao ex-controlador do Master. O escritório posteriormente apresentou sua própria explicação para as viagens, esses acontecimentos ajudam a explicar a repercussão da nova distribuição no STF, embora sejam juridicamente distintos do mandado de segurança agora sob relatoria de Moraes. O processo não está julgando contratos do escritório de Viviane com o Master nem eventuais viagens realizadas pelo casal. Seu objeto é o acesso aos registros mantidos pelo Senado.
Relação com o Banco Master aumenta pressão sobre a relatoria de Moraes

A chegada do mandado de segurança ao gabinete de Alexandre de Moraes acrescenta um novo capítulo à sequência de episódios envolvendo o ministro, sua família e personagens ligados ao Banco Master. Desta vez, Moraes foi sorteado para analisar uma ação que busca justamente informações sobre a passagem de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e de Daniel Vorcaro pelo Senado , o processo tem objeto específico e não transfere a Moraes as investigações centrais sobre o Banco Master, que tramitam na Segunda Turma do STF, colegiado do qual ele não faz parte. Isso, porém, não elimina a controvérsia criada pela distribuição. Segundo a CNN Brasil, este seria o primeiro processo relacionado simultaneamente a Viviane e ao Master no qual Moraes atuaria como ministro, o pedido partiu do vereador Guilherme Kilter (Novo-PR), que tenta obter registros de entrada e saída do Senado após não conseguir acesso às informações pela Lei de Acesso à Informação. Entre os nomes incluídos no requerimento estão Viviane e Vorcaro. Agora, caberá ao STF decidir se os registros deverão ser fornecidos e se a negativa do Senado foi legítima, a partir daí, a discussão deixa de ser apenas sobre os registros do Senado. A presença de sua esposa entre as pessoas diretamente alcançadas pelo pedido coloca sobre Moraes a decisão de permanecer ou não na condução do processo. O ministro poderá examinar a existência de hipótese de impedimento ou suspeição e, caso se afaste, o processo poderá ser redistribuído.
O que pode acontecer com a relatoria
O próximo movimento relevante deve ocorrer dentro do próprio Supremo. Moraes pode continuar à frente do processo e apreciar os pedidos apresentados pelo autor ou reconhecer uma situação que justifique seu afastamento , caso deixe o processo, uma nova distribuição poderá ser determinada pela Presidência do STF. Se permanecer, as partes ainda dispõem dos instrumentos processuais previstos para levantar eventual impedimento ou suspeição, cabendo à Corte tratar da controvérsia conforme suas regras internas e a legislação aplicável , até a tarde de 21 de setembro, não havia decisão de Moraes sobre o pedido de acesso aos registros, a situação coloca duas discussões diferentes no mesmo processo. Uma diz respeito ao conteúdo solicitado ao Senado e aos limites de acesso a esses registros. A outra começa antes mesmo da análise desse pedido: definir se o ministro sorteado poderá permanecer como relator de uma ação que busca informações referentes, entre outras pessoas, à própria esposa.
