Durante evento no Rio de Janeiro, candidato do PL afirmou que pretende convidar o pai para participar da cerimônia de posse em Brasília  a declaração coloca o ex-presidente no centro de uma possível transição de governo, a disputa presidencial ganhou mais um episódio envolvendo Jair Bolsonaro neste sábado (10) durante um evento de campanha no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro declarou que pretende receber a faixa presidencial das mãos do próprio pai caso vença Lula no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A manifestação ocorreu diante de apoiadores e reforçou a presença do ex-presidente na campanha do senador, que chegou à etapa decisiva da eleição depois de terminar o primeiro turno à frente do atual ocupante do Palácio do Planalto, a declaração chama atenção porque Jair Bolsonaro está inelegível e enfrenta restrições judiciais decorrentes de sua condenação no Supremo Tribunal Federal e Mesmo fora da disputa presidencial, seu nome continua presente na campanha de Flávio, que tem utilizado a trajetória política do pai como uma das principais referências de sua candidatura. A proposta de participação na entrega da faixa acrescenta uma questão jurídica e protocolar à discussão sobre a posse presidencial de janeiro de 2027.

Em São Gonçalo, Flávio projeta posse ao lado do pai e critica governo Lula

A declaração ocorreu durante uma motociata em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Flávio participou do evento ao lado de Douglas Ruas governador eleito pelo PL, e do prefeito Capitão Nelson. Diante dos apoiadores, o presidenciável descreveu a cerimônia que pretende realizar caso seja eleito e afirmou que Jair Bolsonaro estará presente para colocar a faixa presidencial no filho. O senador já havia apresentado a mesma ideia na quarta-feira (7), durante uma reunião com parlamentares e governadores eleitos pelo partido em Brasília, ocasião em que esteve acompanhado de Michelle Bolsonaro e de integrantes da direção nacional do PL ,a fala deste sábado foi acompanhada de novas críticas ao governo Lula e de promessas relacionadas à segurança pública. Flávio defendeu o endurecimento das penas para criminosos envolvidos em roubos de celulares, anunciou que pretende intensificar o combate ao narcotráfico e voltou a defender a redução da maioridade penal. Em seu discurso, o senador afirmou que ladrões de celulares deveriam cumprir oito anos de prisão e trabalhar para custear sua permanência no sistema penitenciário, além de propor punições mais severas para adolescentes envolvidos em crimes graves. As medidas foram apresentadas como compromissos de campanha e dependeriam de alterações legislativas para entrar em vigor ,a promessa de entregar a faixa pelas mãos do pai também foi feita durante a reunião partidária de quarta-feira, quando Flávio afirmou que imaginava a posse acompanhada de uma oração antes de seu primeiro discurso como presidente. Na mesma ocasião,o senador comemorou a nova composição do Congresso Nacional e destacou o crescimento do PL nas eleições legislativas. O partido elegeu 121 deputados federais e 19 senadores, chegando a uma bancada de 28 integrantes no Senado quando considerados os parlamentares que ainda estão na metade de seus mandatos.

O crescimento da bancada foi citado por Flávio como parte de sua estratégia para um eventual governo. Durante a reunião, o candidato afirmou que a composição do Senado permitiria discutir mudanças constitucionais e ampliar a articulação de projetos defendidos pelo partido. A declaração ocorre depois de um primeiro turno em que o senador recebeu aproximadamente 47% dos votos válidos, terminando à frente de Lula, que registrou cerca de 45%. O resultado levou a eleição para o segundo turno e colocou o candidato do PL na liderança da votação inicial, embora nenhum dos dois tenha alcançado a maioria necessária para encerrar a disputa, a situação judicial do ex-presidente Bolsonaro permanece como uma questão relevante para a cerimônia imaginada por Flavio ,o ex-presidente cumpre prisão domiciliar após condenação do STF a 27 anos e três meses de prisão mas a defesa apresentou pedidos de revisão da condenação e busca a possibilidade de soltura. O ministro Kassio Nunes Marques deverá examinar uma das questões relacionadas ao caso depois do segundo turno, enquanto Flávio já declarou que pretende conceder um indulto presidencial a Jair caso seja eleito, a entrega da faixa presidencial costuma ocorrer durante a cerimônia de posse, mas a presença de Jair Bolsonaro dependeria de sua situação jurídica e das autorizações necessárias. A Constituição estabelece que a posse do presidente ocorre em 5 de janeiro, a partir de 2027, perante o Congresso Nacional. A participação do ex-presidente na solenidade, portanto, ainda não está definida, apesar das declarações feitas por Flávio durante a campanha.

Flávio pede mobilização dos apoiadores e amplia agenda no Rio

Além da motociata, Flávio Bolsonaro participou neste sábado de um encontro com mulheres na Barra da Tijuca. Durante o evento, pediu aos apoiadores que buscassem novos votos para sua candidatura e voltou a criticar o governo federal, Flávio responsabilizou a administração petista por problemas relacionados à segurança das mulheres, ao aumento da carga tributária e às dificuldades enfrentadas por setores da indústria. As críticas foram acompanhadas de propostas para ampliar políticas de proteção às vítimas de violência doméstica e de inclusão de pessoas com deficiência, entre os compromissos apresentados estão a criação de espaços de acolhimento para mulheres ameaçadas, o financiamento de iniciativas voltadas à autonomia econômica das vítimas e o monitoramento eletrônico de agressores submetidos a medidas protetivas. Flávio também defendeu a ampliação do apoio federal aos estados na área da educação, incluindo atendimento a estudantes autistas e ações relacionadas à saúde mental de professores. Durante o encontro, assinou um compromisso de continuidade de políticas destinadas à comunidade surda que haviam sido desenvolvidas no governo de Jair

A agenda no Rio incluiu ainda a participação do senador na celebração do centenário da Assembleia de Deus Madureira, realizada no Maracanãzinho. Diante dos fiéis, Flávio falou sobre sua fé e relacionou as dificuldades enfrentadas durante a campanha àquilo que descreveu como uma batalha espiritual, Douglas Ruas também participou da programação religiosa e pediu orações pela população fluminense, a presença de Jair Bolsonaro na campanha tem sido recorrente mesmo com o ex-presidente afastado dos eventos públicos em razão de sua situação judicial. Flávio utiliza referências ao pai em discursos e encontros partidários, enquanto Michelle Bolsonaro e outros integrantes do PL participam da mobilização para o segundo turno. A promessa de receber a faixa presidencial das mãos de Jair foi repetida em diferentes ocasiões nesta semana, primeiro durante a reunião em Brasília e novamente diante dos participantes da motociata em São Gonçalo.

No evento deste sábado, Flávio também afirmou que aqueles que tentaram silenciar seu pai seriam responsáveis por sua eventual vitória. A declaração foi apresentada como uma crítica aos adversários políticos e às medidas judiciais que atingiram Jair Bolsonaro nos últimos anos. O senador relacionou o apoio recebido por sua candidatura à permanência do ex-presidente como referência para parte do eleitorado, sem apresentar a eventual vitória como um resultado já definido.

Com quinze dias restantes até a votação, Flávio Bolsonaro mantém a agenda de campanha concentrada na busca por novos apoios e na divulgação de propostas para segurança pública, economia e políticas sociais. A imagem de Jair Bolsonaro entregando a faixa presidencial ao filho permanece como uma promessa de campanha, condicionada tanto ao resultado das urnas quanto à situação jurídica do ex-presidente. A declaração feita em São Gonçalo acrescentou esse cenário ao debate eleitoral e voltou a colocar a família Bolsonaro no centro da disputa com Lula.