Material extraído dos celulares de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel contém referências a integrantes do Supremo e familiares de magistrados. Contrato de R$ 129 milhões, encontros com o banqueiro e mudanças na condução dos processos colocam a atuação da Corte novamente sob questionamento, o caso Banco Master voltou a atingir o Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (13), depois de uma reunião entre o presidente da Corte, Edson Fachin, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para discutir informações encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel. Segundo a cobertura da imprensa, o material contém referências a pelo menos seis ministros do STF ou familiares de magistrados, além de menções a integrantes do Superior Tribunal de Justiça. A nova etapa ocorre após meses de controvérsias envolvendo Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, contratos milionários e mudanças na condução das investigações.
A reunião colocou novamente sob responsabilidade de Fachin a definição dos encaminhamentos relacionados a documentos que mencionam integrantes do próprio tribunal. A Polícia Federal discutiu a possibilidade de aprofundar o exame das informações e produzir relatórios individualizados sobre os nomes identificados nos aparelhos apreendidos. O encontro ocorreu depois de um período marcado por procedimentos pendentes na presidência do STF e por divergências entre ministros sobre a atuação dos investigadores.
Fachin centralizou procedimentos enquanto processos permaneciam pendentes
Em 12 de setembro, Edson Fachin centralizou em seu gabinete procedimentos relacionados ao Banco Master , a decisão ocorreu depois de uma sequência de divergências internas envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça, que havia assumido a relatoria das investigações após a saída de Dias Toffoli. A mudança concentrou na presidência do tribunal questões que anteriormente estavam sob responsabilidade do relator, em reportagem publicada em 11 de outubro, a CNN Brasil informou que determinados procedimentos permaneciam sem encaminhamento havia aproximadamente um mês. Entre eles estava um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro. Os advogados solicitaram que o processo fosse encaminhado a André Mendonça, mas o pedido continuava sob responsabilidade da presidência do Supremo no período relatado, o impasse ocorreu enquanto a Polícia Federal reunia informações sobre contatos mantidos pelo banqueiro com integrantes do Judiciário. Desde fevereiro, a investigação já havia provocado a substituição de um relator e levado ao conhecimento da presidência do STF documentos relacionados a encontros, mensagens e movimentações financeiras envolvendo pessoas próximas a magistrados.
Fachin encaminhou um ofício a Andrei Rodrigues em 2 de outubro, afirmando que adotaria providências após receber um conjunto completo de informações. A reunião desta terça-feira ocorreu onze dias depois dessa comunicação, quando a direção da PF apresentou os dados disponíveis para discussão dos próximos encaminhamentos. A cobertura consultada não confirmou a autorização definitiva de relatórios individualizados nem a conclusão das análises dos documentos, Dias Toffoli foi um dos primeiros integrantes do Supremo a aparecer diretamente nas controvérsias envolvendo o Banco Master, em fevereiro ,a Polícia Federal apresentou à presidência da Corte um relatório de aproximadamente 200 páginas com informações sobre contatos entre o ministro e Daniel Vorcaro. Segundo as reportagens publicadas na época, o documento mencionava mais de dez ocasiões em que os dois teriam se encontrado.
O levantamento também abordava mensagens relacionadas a pagamentos e ao resort Tayayá, no Paraná, empreendimento associado à empresa Maridt, ligada à família do magistrado. As relações financeiras envolvendo empresas e fundos vinculados ao resort passaram a integrar a cobertura jornalística sobre o caso, ampliando os questionamentos sobre a proximidade entre o banqueiro e pessoas ligadas ao ministro responsável pelos processos, outro episódio envolveu uma viagem de Toffoli ao Peru para acompanhar a final da Libertadores. O ministro esteve em uma aeronave na qual também viajava um advogado relacionado à defesa no caso Master. A revelação ganhou repercussão porque ocorreu durante o período em que Toffoli exercia a relatoria das investigações envolvendo o banco.
A condução das provas apreendidas pela Polícia Federal também provocou controvérsia. Toffoli determinou inicialmente que materiais recolhidos durante uma operação fossem lacrados e encaminhados diretamente ao Supremo. A decisão gerou questionamentos sobre o acesso dos investigadores aos elementos apreendidos. Posteriormente, o ministro autorizou a análise do conteúdo pela PF, estabelecendo condições para o acompanhamento da perícia, depois da apresentação do relatório à presidência do STF e da repercussão das informações, Toffoli deixou a relatoria. Os processos foram redistribuídos a André Mendonça. A mudança ocorreu em meio às discussões sobre os contatos do ministro com Vorcaro e sobre as decisões que havia tomado durante a condução da investigação.
Contrato milionário envolvendo escritório de esposa de Moraes amplia controvérsia

Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que continha informações sobre esses contatos. A divulgação provocou divergências entre integrantes do STF e levou Fachin a instaurar um procedimento para reunir manifestações de Moraes, Mendonça, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, as divergências chegaram a uma sessão extraordinária realizada em 15 de setembro. Na ocasião, os ministros discutiram o tratamento das controvérsias envolvendo Moraes eMendonça. Flávio Dino pediu vista, interrompendo a análise, enquanto Fachin posteriormente adiou a avaliação da atuação de Mendonça sem definir uma nova data, Moraes negou irregularidades relacionadas ao caso. As reportagens, entretanto, continuaram examinando o contrato do escritório de Viviane Barci, os contatos atribuídos ao ministro e as decisões adotadas pelo Supremo durante a tramitação dos procedimentos, o episódio também passou a integrar a cobertura internacional sobre a crise envolvendo o Banco Master e integrantes do Judiciário.
Material da PF menciona seis ministros ou familiares e amplia pressão sobre o STF
Os aparelhos apreendidos de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel contêm referências a Alexandre de Moraes,Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Luiz Fux e André Mendonça, segundo levantamento divulgado pelo R7. As informações incluem menções em conversas e registros relacionados aos investigados. Integrantes de outros tribunais superiores também aparecem no material, incluindo magistrados do STJ e do Tribunal Superior do Trabalho a divulgação desses nomes acrescenta uma nova dimensão à crise. O relatório anterior sobre Toffoli já havia provocado sua saída da relatoria, enquanto os registros atribuídos a contatos entre Vorcaro e Moraes alimentaram divergências internas. Agora, a Polícia Federal busca definir o tratamento das demais informações encontradas durante a investigação, incluindo a possibilidade de produzir documentos específicos sobre os magistrados mencionados, a Folha de S.Paulo informou que a reunião desta terça-feira foi solicitada pela própria PF para discutir os encaminhamentos dos registros encontrados. Entre as alternativas examinadas estão aprofundar a investigação sobre determinadas relações, elaborar relatórios detalhados ou descartar informações sem relevância investigativa. A decisão terá consequências diretas sobre quais elementos serão submetidos a novas análises.
A reunião também ocorreu enquanto os inquéritos relacionados ao Master permaneciam paralisados após requisição de Fachin ao relator André Mendonça, segundo reportagem do UOL. A situação colocou a presidência do Supremo no centro das decisões sobre o andamento dos procedimentos, ao mesmo tempo em que a PF procurava esclarecer como deveria tratar as referências a integrantes do tribunal, a repercussão do caso alcançou a imprensa internacional nesta terça-feira. O jornal britânico The Guardian publicou uma reportagem sobre as controvérsias envolvendo o Supremo, destacando as relações atribuídas a Daniel Vorcaro com integrantes da Corte e o contrato milionário relacionado ao escritório de Viviane Barci de Moraes. A publicação também abordou as consequências políticas da crise durante o segundo turno presidencial de 2026, o caso ganhou relevância adicional após as eleições legislativas de outubro, que renovaram parte do Senado e recolocaram em discussão os pedidos de impeachment contra ministros do STF. A Casa possui competência constitucional para processar e julgar magistrados do Supremo por crimes de responsabilidade. As revelações envolvendo o Banco Master passaram a integrar esse debate, especialmente entre parlamentares que cobram maior fiscalização da atuação dos integrantes da Corte.A investigação sobre Vorcaro já provocou a substituição de um relator, a divulgação de mensagens envolvendo autoridades e divergências entre ministros sobre os procedimentos adotados pela Polícia Federal. A reunião de Fachin com Andrei Rodrigues acrescentou a discussão sobre o tratamento de referências a outros magistrados, mas as reportagens disponíveis até o fechamento desta matéria não confirmavam uma decisão definitiva sobre a produção de relatórios individualizados, a definição desses encaminhamentos permanece como uma das principais pendências do caso. A Polícia Federal reuniu os registros, apresentou as informações à presidência do Supremo e aguarda a delimitação das próximas providências. Enquanto isso, continuam sob questionamento público as relações identificadas entre Daniel Vorcaro, integrantes do Judiciário e pessoas próximas a magistrados, além das decisões tomadas durante a condução dos processos.
