As fotografias publicadas pela Veja na quarta-feira, 21 de outubro, mostram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no interior de um jatinho fretado ao lado de Roberta Luchsinger ,outros registros revelam festas e encontros com empresários e integrantes do governo esse material expõe uma convivência que já aparecia nas mensagens recolhidas pela Polícia Federal, o filho do presidente circulava com a lobista enquanto ela buscava acesso a autoridades e oportunidades comerciais na administração federal, o registro que mais chamou atenção foi feito dentro de um Embraer Praetor 600 fretado. Na aeronave, o grupo seguia para a Finlândia, em janeiro de 2025, para contemplar a aurora boreal m avião novo desse modelo custa mais de US$ 20 milhões,segundo a publicação. Esse valor corresponde à aquisição do jato, não ao preço das passagens ou do fretamento. A distinção é necessária porque a despesa efetiva do passeio integra justamente o conjunto de informações que precisa ser esclarecido.

A Polícia Federal encontrou um orçamento de aproximadamente R$ 1,8 milhão para o roteiro europeu esse documento foi revelado anteriormente pelo jornal O Globo, e fotografias da viagem também foram publicadas pelo Metrópoles em setembro o planejamento incluía hospedagem no Octola, empreendimento de ultraluxo em Rovaniemi, na Finlândia, além de deslocamentos por outros destinos europeus ,o total efetivamente desembolsado e a identificação dos responsáveis por cada pagamento ainda precisam ser esclarecidos, esse é o ponto que vai muito além das imagens de férias. As mensagens examinadas pela PF mostram que Roberta Luchsinger participava da organização de roteiros e de pagamentos relacionados ao amigo e à família dele, a Veja relatou que houve viagens financiadas por empresários, incluindo passagens pela África, Paris, Portugal e China, em agosto, a revista já havia noticiado despesas estimadas em US$ 20 mil por pessoa em um dos itinerários africanos e europeus.
Entre os registros recuperados, há uma reclamação atribuída à lobista sobre pedidos frequentes de passagens aéreas para Fábio Luís ,portanto não se trata de uma única fotografia isolada já que o material reúne deslocamentos, conversas sobre custos e contatos comerciais e para a Polícia Federal, interessa descobrir quem arcou com cada pagamento, a razão de eventuais benefícios e se houve relação entre essas despesas e demandas apresentadas a órgãos públicos, o acesso privilegiado ao poder torna essas perguntas especialmente relevantes. O personagem central das fotografias não é um turista desconhecido é o filho do presidente da República, figura que, segundo a apuração policial, poderia abrir portas para empresários interessados em conversar com ministros e assessores, o parentesco não é uma função pública, mas pode se tornar um ativo valioso para quem procura interlocução política e é essa possível utilização de influência familiar que precisa ser desvendada.
Outra imagem divulgada pela Veja mostra o primogênito de Lula e Roberta ao lado de Marcelo Checon, proprietário da MChecon Design e Cenografia, os dados apresentados pela revista chamam atenção: antes de 2023, a empresa tinha um contrato federal de R$ 197 mil,nos três anos seguintes, conquistou 13 contratos que somaram cerca de R$ 63 milhões, a companhia passou a prestar serviços ao Palácio do Planalto e a ministérios,a reportagem informa que Checon conheceu Fábio Luís em 2023, por intermédio de Fernando Bittar, empresário que já havia mantido negócios com ele. A amizade cresceu justamente no período de expansão da carteira de contratos públicos. A cronologia exige uma apuração detalhada: quais órgãos contrataram os serviços, como ocorreram as seleções, quem participou das negociações e se houve interferência de alguém sem atribuição formal no governo, os números exigem escrutínio, sobretudo porque a PF investiga a possível intermediação de interesses particulares por pessoas próximas à Presidência. A explicação sobre os procedimentos de contratação precisa aparecer nos editais, nas propostas vencedoras, nos pareceres e nas decisões administrativas. Amizades não respondem a essas perguntas.
Mansão em Brasília reunia aliados e autoridades
As fotografias alcançam ainda uma casa alugada por Roberta em Brasília, em um registro da virada de 2024 para 2025, Lulinha aparece com Swedenberger Barbosa, integrante do gabinete pessoal de Lula, a Veja também relatou a presença de Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete presidencial, em encontros vinculados ao imóvel, segundo a revista, a residência funcionou durante mais de um ano como espaço para reuniões e confraternizações com empresários e membros do governo, com gastos mensais de manutenção superiores a R$ 100 mil, a publicação atribui à empresária o custeio da casa. Se esse ambiente era frequentado para tratar de interesses comerciais, a questão deixa de ser a existência de festas e passa a envolver o trânsito entre reuniões privadas e decisões administrativas.
Marcola aparece em outra frente do caso, algumas reportagens apontaram pagamentos feitos por Roberta em benefício do então assessor do presidente, na entrevista à CNN, exibida em 17 de outubro, ela reconheceu ajuda financeira ao antigo ocupante do cargo, sua proximidade com integrantes do gabinete presidencial reforça a necessidade de identificar quais solicitações passaram por esses contatos e como eram tratadas dentro da máquina federal, a situação ficou mais delicada depois que a própria empresária afirmou ter presenciado encontros de Fábio Luís com ministros. À CNN, declarou que essas reuniões ocorreram inúmeras vezes e citou discussões sobre políticas públicas, inclusive na área de canabidiol, também disse que autoridades a procuravam para obter agendas e prioridade em projetos. As afirmações exigem confronto com registros de visitas, mensagens, agendas ministeriais e documentos oficiais.
Do jatinho ao Careca do INSS

A apuração também entrou em uma nova etapa, em 21 de outubro, a CNN informou que a PF reuniu informações dispersas sobre Lulinha em um único inquérito e solicitou mais 60 dias para investigar. O pedido mostra que continuam pendentes diligências consideradas importantes pela corporação e enquanto isso, a proximidade da eleição presidencial aumenta a pressão por respostas claras sobre os encontros e o dinheiro movimentado, o presidente Lula claro negou conhecer Roberta e chegou a chamá-la publicamente de “pilantra” mas depois dessas declarações, a empresária concedeu entrevista à CNN, contestou o chefe do Executivo e afirmou que pretende buscar uma delação premiada, ela também disse que o petista deveria perguntar ao próprio filho com o que ele trabalha. A ruptura pública tornou ainda mais evidente o choque entre o discurso presidencial e a rede de relações exposta pelas mensagens e fotografias.
