Luiz Inácio Lula da Silva votou contra a Constituição Federal de 1988 o episódio aconteceu em 22 de setembro daquele ano, quando o atual presidente exercia o mandato de deputado federal por São Paulo e liderava a bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Nacional Constituinte , seu voto está registrado nos documentos oficiais do Congresso e voltou ao noticiário depois do debate presidencial realizado pela TV Globo na sexta-feira, 23 de outubro de 2026,naquela sessão, 474 constituintes votaram pela aprovação da redação final, enquanto apenas 15 se manifestaram contra. Houve ainda seis abstenções. Todos os votos contrários vieram de integrantes do PT, incluindo o próprio Lula, que havia anunciado em plenário a decisão partidária de rejeitar o documento, a informação mencionada por Flávio Bolsonaro durante o confronto eleitoral, portanto, corresponde ao registro histórico, a votação pode ser consultada nos arquivos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal esse discurso feito pelo petista antes da decisão também foi preservado e confirma que a posição contrária não foi resultado de um erro de votação.
Lula anunciou que o PT votaria contra a Constituição
O pronunciamento ocorreu durante a sessão de 22 de setembro de 1988, quando os parlamentares se reuniram para decidir sobre a redação final da nova Carta, na época, a Assembleia Nacional Constituinte estava concluindo um trabalho iniciado em fevereiro de 1987, durante o processo de reorganização democrática do Brasil após o regime militar, Lula subiu à tribuna para comunicar a decisão da bancada petista e em determinado momento do discurso, afirmou que seu partido iria votar contra o texto porque discordava de aspectos centrais da proposta, a declaração consta na página 14.314 do Diário da Assembleia Nacional Constituinte, publicado em 23 de setembro daquele ano,o documento original está disponível no acervo histórico da Câmara dos Deputados.
O então parlamentar afirmou expressamente que o PT iria "votar contra esse texto". Não se tratava de uma interpretação posterior de adversários políticos. A posição foi anunciada pelo próprio líder da legenda diante dos demais constituintes, antes do encerramento da votação, a decisão também não estava relacionada a um artigo isolado o Congresso analisava a redação final da Constituição, reunindo as disposições que haviam sido negociadas, discutidas e votadas ao longo dos trabalhos da Assembleia e durante o pronunciamento, Lula contestou o argumento de que a sessão serviria apenas para ajustes de redação. Ele afirmou que o PT considerava aquela votação mais importante do que a votação de mérito e rejeitou a ideia de que se tratava simplesmente de decidir sobre vírgulas ou pequenas alterações
Dos 16 deputados do PT, 15 rejeitaram o documento
A bancada petista contava com 16 integrantes na Assembleia Nacional Constituinte e na votação definitiva, 15 deles se posicionaram contra a redação final, enquanto o deputado João Paulo Pires de Vasconcellos, representante de Minas Gerais, contrariou a orientação partidária e votou favoravelmente ,a divergência foi registrada na imprensa da época. Uma reportagem de O Globo publicada em 23 de setembro de 1988 informou que João Paulo havia comunicado sua intenção de aprovar o documento, mesmo diante da decisão adotada pelo diretório nacional ,segundo a publicação, a orientação para rejeitar o texto foi aprovada internamente por 35 votos a oito ,a posição provocou discussões dentro da legenda e críticas de representantes de outras forças políticas que participaram da Constituinte, Nelson Jobim, então líder do PMDB, classificou a decisão petista como um equívoco político. Roberto Freire, que liderava o PCB, também se manifestou contra a postura adotada pelo partido, o resultado da votação foi publicado em jornais que acompanharam os trabalhos da Assembleia. Décadas depois, a Fundação Getulio Vargas também registrou o placar no Atlas Histórico do Brasil, identificando os 15 votos contrários como pertencentes aos constituintes do Partido dos Trabalhadores.
O que Lula criticou no texto aprovado
No discurso original, Lula apresentou as diferenças entre as propostas defendidas pela bancada e os dispositivos que haviam recebido apoio suficiente para integrar a nova Constituição, uma dessas divergências envolvia a jornada de trabalho ,o PT defendia um limite semanal de 40 horas, mas o texto aprovado estabeleceu 44 horas, outra discussão tratava das férias remuneradas, o partido pretendia pagamento em dobro, enquanto a redação constitucional garantiu um adicional de pelo menos um terço sobre o salário normal e o parlamentar também mencionou a remuneração das horas extras, a estabilidade no emprego e as regras referentes ao aviso prévio
Esses argumentos constam no discurso oficial e ajudam a identificar as razões declaradas para a rejeição. Entretanto, independentemente das propostas que o partido pretendia aprovar, o resultado parlamentar permanece o mesmo: quando a redação final foi submetida à decisão dos constituintes, Lula votou contra, a posição foi mantida mesmo depois das negociações e alterações realizadas durante os trabalhos da Assembleia. O conjunto aprovado por ampla maioria não recebeu o apoio do então deputado federal, a Carta de 1988 consolidou importantes mudanças na estrutura jurídica brasileira,o documento estabeleceu garantias individuais, direitos políticos, regras para o funcionamento dos Poderes e disposições sobre a organização administrativa do país.
Entre seus dispositivos estão os fundamentos constitucionais do Sistema Único de Saúde, que definiu a saúde como direito de todos e dever do Estado. O documento também estabeleceu direitos trabalhistas, proteção social e mecanismos de participação política, outros dispositivos trataram do papel do Congresso Nacional, das competências da Presidência da República, da atuação do Poder Judiciário e das responsabilidades da União, dos estados e dos municípios, a aprovação ocorreu após uma extensa sequência de discussões legislativas. De acordo com o Atlas Histórico do Brasil, da Fundação Getulio Vargas, a votação de 22 de setembro foi a 1.021ª realizada durante os trabalhos constituintes e naquela ocasião, o plenário aprovou o chamado Projeto de Constituição D, etapa que encerrou a deliberação sobre a redação final do documento.
A Constituição seria promulgada em 5 de outubro de 1988, sob a presidência de Ulysses Guimarães na Assembleia Nacional Constituinte, a decisão de Lula integrou esse processo como um voto contrário ao conjunto da redação final, não como uma votação separada sobre cada direito ou instituição previstos no documento, o episódio ganhou novamente espaço no noticiário durante o último debate presidencial antes do segundo turno de 2026, realizado em 23 de outubro ,no confronto transmitido pela Globo, Flávio Bolsonaro trouxe o histórico do adversário na Assembleia Constituinte e afirmou que Lula havia votado contra a Constituição de 1988,a declaração levou veículos de comunicação a consultar os registros históricos da votação,o serviço Fato ou Fake, do g1, confirmou que o então deputado federal votou contra o texto, com base no Diário da Assembleia Nacional Constituinte, o registro também foi recuperado em reportagens publicadas pelo Terra, pela Exame e por outros veículos após o debate. As verificações confirmaram o voto contrário de Lula à redação final.
A informação pode ser comprovada diretamente pela documentação parlamentar, na Câmara, o discurso está identificado como uma manifestação da sessão de 22 de setembro de 1988, publicada no Diário da Constituinte do dia seguinte ,o Senado, por sua vez, publicou em setembro de 2008 uma retrospectiva histórica sobre a aprovação da redação final, registrando tanto a orientação anunciada pelo então líder petista quanto as divergências apresentadas naquela sessão,ss documentos permitem estabelecer a sequência dos acontecimentos: Lula participou dos trabalhos constituintes, apresentou críticas ao projeto, anunciou a orientação contrária de seu partido e votou pela rejeição da redação final.
Passados 38 anos, a votação continua documentada. O Diário da Assembleia Nacional Constituinte, os arquivos da Câmara, os registros do Senado e a cobertura jornalística da época permitem consultar os acontecimentos de setembro de 1988,a informação não depende exclusivamente de uma declaração feita durante o debate de 2026. O voto foi registrado no momento em que ocorreu e continuou disponível para consulta pública ao longo das décadas ,também não há divergência histórica relevante sobre o sentido do voto dado por Lula: ele integrou o grupo de 15 deputados que rejeitaram o texto final,a discussão política sobre os motivos dessa decisão pode continuar, mas não modifica o resultado daquela sessão. Em 22 de setembro de 1988, a Constituição recebeu 474 votos favoráveis, 15 contrários e seis abstenções,Luiz Inácio Lula da Silva estava entre os 15 que votaram contra.
