O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma nova proposta apresentada pelo Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e interromper os confrontos no Oriente Médio. O plano, encaminhado a Washington por intermediários do Qatar durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, previa a retomada da navegação na região em até sete dias, desde que os americanos suspendessem o bloqueio naval imposto aos portos iranianos e aceitassem determinadas condições para um cessar-fogo ,a recusa foi anunciada no sábado (26), durante uma conversa de Trump com jornalistas na Casa Branca, antes de uma viagem ao Tennessee. O presidente afirmou que não aceitava os termos apresentados por Teerã e atribuiu a iniciativa iraniana às dificuldades econômicas enfrentadas pelo país após meses de conflito eneste domingo (27),o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, respondeu às declarações americanas afirmando que a reabertura do estreito continua condicionada ao atendimento das exigências iranianas. Segundo ele, apesar da manifestação pública de Trump, os mediadores ainda não haviam transmitido formalmente uma resposta definitiva de Washington, o novo impasse prolonga uma crise iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o território iraniano. Desde então, o conflito provocou milhares de mortes, atingiu instalações militares e econômicas e comprometeu o transporte de petróleo por uma das rotas marítimas mais importantes do comércio internacional.

Irã apresentou proposta de reabertura em até sete dias

A iniciativa iraniana foi apresentada durante as reuniões da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Araqchi explicou que o plano havia sido encaminhado aos Estados Unidos por meio de representantes do Qatar, país que vem atuando como intermediário nas conversas entre Washington e Teerã essa proposta estabelecia um prazo de sete dias para a reabertura do Estreito de Ormuz e a interrupção dos confrontos regionais. Em contrapartida, os Estados Unidos deveriam suspender o bloqueio naval aos portos iranianos, retirar restrições às exportações de petróleo do país e concordar com um cessar-fogo que também contemplasse o Líbano, a retomada da navegação seria acompanhada pela abertura de negociações mais amplas sobre temas de interesse dos dois governos, incluindo a possibilidade de novas conversas sobre o programa nuclear iraniano.

Araqchi afirmou na sexta-feira (25) que as condições necessárias para colocar o plano em prática já estavam preparadas e que sua execução dependeria de uma manifestação favorável dos americanos, o ministro também manteve contatos com representantes da Arábia Saudita, adversária regional do Irã, demonstrando a participação de outros governos nas tentativas de encontrar uma saída para a crise essa proposta chegou após uma série de negociações frustradas. Em junho, os dois países haviam alcançado um entendimento para interromper os confrontos e iniciar conversas sobre questões nucleares, mas o acordo perdeu sustentação poucos dias depois.

Trump rejeita condições e afirma que Estados Unidos estão vencendo

A resposta de Trump foi dada no sábado, quando jornalistas perguntaram sobre a possibilidade de um novo entendimento com o governo iraniano ,o Presidente confirmou que havia rejeitado a proposta e declarou que os iranianos estavam buscando um acordo porque enfrentavam dificuldades econômicas e militares. Segundo ele, Teerã deseja reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz para recuperar receitas interrompidas durante o conflito , Trump afirmou que os Estados Unidos estavam obtendo resultados expressivos na guerra e que, embora tivesse interesse em negociar, não aceitaria os termos oferecidos , a manifestação ocorreu depois de uma reportagem do Wall Street Journal informar, com base em autoridades americanas não identificadas, que o presidente havia recusado o plano por desconfiar da disposição iraniana de cumprir as exigências de Washington.

O jornal também relatou que Trump teria comunicado a integrantes de sua equipe considerar provável uma nova campanha de bombardeios após as eleições legislativas americanas de novembro. A informação foi atribuída a fontes ouvidas pela publicação e não constituiu um anúncio oficial de retomada dos ataques ,a posição pública do presidente contrastou com declarações anteriores de representantes americanos envolvidos nas conversas indiretas. Antes da recusa, uma autoridade dos Estados Unidos havia descrito os contatos mediados como positivos e construtivos ,o secretário de Estado, Marco Rubio, também havia indicado disposição para dar continuidade ao diálogo, embora Washington mantivesse suas exigências sobre o programa nuclear iraniano e a segurança da navegação no Golfo.

Irã insiste em solução diplomática e aguarda resposta oficial

Neste domingo, Abbas Araqchi voltou a defender a negociação como caminho para encerrar o conflito. Em publicação nas redes sociais, o chanceler afirmou que as condições iranianas permanecem inalteradas e que qualquer iniciativa para reabrir o Estreito de Ormuz depende de seu cumprimento, e apesar da rejeição anunciada por Trump, Araqchi disse que os intermediários ainda não haviam comunicado oficialmente a posição americana. O governo iraniano pretende aguardar essa resposta antes de decidir quais medidas adotará porém o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também abordou a possibilidade de novas negociações em entrevista ao programa Face the Nation, da emissora americana CBS. Ele afirmou que seu governo está disposto a discutir o programa nuclear e outros assuntos, mas rejeitou a possibilidade de aceitar um acordo sob ameaças ou imposições militares.

As declarações expõem uma dificuldade que acompanha as negociações desde o início da guerra. Washington exige garantias de que o Irã jamais desenvolverá armas nucleares, enquanto Teerã reivindica o direito de manter atividades de enriquecimento de urânio para finalidades pacíficas porém um alto funcionário iraniano declarou à Reuters que o país não pretende abrir mão desse direito, mesmo que os Estados Unidos aceitem a proposta de paz. Segundo ele, também não está prevista a transferência do estoque de urânio altamente enriquecido para fora do território iraniano, as posições indicam que uma eventual reabertura do estreito não resolveria automaticamente a disputa nuclear. O plano apresentado por Teerã procura tratar primeiro da interrupção dos confrontos e da retomada da navegação, deixando as demais questões para uma etapa posterior.

Bloqueio de Ormuz continua afetando o comércio mundial de petróleo

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e constitui uma das principais rotas utilizadas para transportar petróleo e gás natural produzidos no Oriente Médio e em condições normais, aproximadamente um quinto a um quarto do petróleo comercializado mundialmente passa pela região. A interrupção do tráfego marítimo desde fevereiro provocou dificuldades para exportadores, empresas de transporte e países dependentes do abastecimento energético internacional, após os ataques americanos e israelenses, o Irã passou a restringir a passagem de embarcações, instalou minas marítimas e advertiu navios comerciais sobre os riscos de atravessar a região sem autorização. O movimento de embarcações caiu drasticamente, Os Estados Unidos responderam com um bloqueio naval aos portos iranianos, procurando limitar as exportações de petróleo e ampliar a pressão econômica sobre Teerã. Trump afirma que as forças americanas controlam a passagem, embora as restrições e ameaças iranianas continuem comprometendo a navegação comercial. A disputa também levou governos do Golfo a buscar alternativas para transportar suas exportações. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos passaram a considerar com maior atenção rotas terrestres e instalações portuárias que não dependam diretamente de Ormuz ,Segundo o Financial Times, Washington apresentou a aliados árabes uma proposta de investimento inicial de US$ 10 bilhões para recuperar e desenvolver infraestrutura energética, incluindo oleodutos capazes de reduzir a dependência da passagem marítima. A iniciativa prevê contribuições americanas e de países parceiros, com possibilidade de expansão por meio de recursos privados e fundos soberanos.

Guerra iniciada em fevereiro se espalhou pelo Oriente Médio

O confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro e atravessou os sete meses seguintes com períodos de suspensão dos ataques e novas operações militares, os bombardeios atingiram instalações iranianas e comprometeram parte da capacidade militar convencional do país. Em resposta, Teerã realizou ataques com drones e mísseis contra aliados americanos no Golfo, enquanto grupos alinhados ao governo iraniano ampliaram suas operações em outras partes da região e no Iêmen, os houthis passaram a atacar interesses sauditas, aumentando a participação de outros países em um conflito que já havia afetado o transporte marítimo e as exportações de energia. Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro, Trump defendeu a campanha militar contra o Irã e pediu maior isolamento econômico de Teerã. O presidente também voltou a afirmar que impedir o desenvolvimento de uma arma nuclear iraniana continua sendo uma exigência central de Washington, As declarações ocorreram enquanto representantes dos dois países mantinham contatos indiretos em Nova York. A possibilidade de um encontro entre autoridades americanas e iranianas chegou a ser discutida, mas não houve confirmação de uma reunião presencial entre Trump e Pezeshkian e com a proposta rejeitada publicamente e a resposta formal ainda pendente, o governo iraniano mantém suas exigências para reabrir Ormuz. Washington, por sua vez, continua condicionando qualquer entendimento a garantias que considera necessárias para sua segurança e a de seus aliados.