Duas pesquisas divulgadas nesta terça-feira mostram metade do eleitorado desaprovando a gestão petista, enquanto rejeição a Lula chega a 51% em levantamento do BTG/Nexus e Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente na disputa presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta decisiva das eleições de 2026 carregando um problema que sua campanha não conseguiu superar ao longo do governo: a desaprovação de metade dos eleitores brasileiros. Duas pesquisas divulgadas nesta terça-feira (13), realizadas por institutos diferentes, registraram exatamente 50% de desaprovação à administração petista. O resultado coloca sob pressão um presidente que disputa mais quatro anos no Palácio do Planalto depois de quase um mandato inteiro tentando convencer a população de que sua volta ao poder representaria a recuperação econômica e social do país.
Os levantamentos BTG/Nexus e PoderData/AYA apresentam pequenas diferenças nos índices de aprovação, mas coincidem no percentual de brasileiros que desaprovam o governo. Na primeira pesquisa, 50% desaprovam a administração Lula, 45% aprovam e 5% não souberam responder. Na segunda, a desaprovação também chega a 50%, enquanto a aprovação fica em 44% e outros 6% não responderam. A coincidência dos resultados, obtidos em pesquisas independentes, reforça a relevância política do problema enfrentado pelo presidente a menos de duas semanas da votação de 25 de outubro, o desgaste se torna ainda mais evidente quando os entrevistados são convidados a avaliar a qualidade da administração federal. Segundo o BTG/Nexus, 45% classificam o governo como ruim ou péssimo, contra apenas 34% que o consideram ótimo ou bom. Outros 20% avaliam a gestão como regular. A diferença de onze pontos percentuais entre avaliações negativas e positivas mostra que a insatisfação não se limita à oposição partidária, alcançando uma parcela expressiva da população que acompanhou as decisões do governo durante os últimos anos.
Lula chega ao segundo turno de 2026 enfrentando o desgaste de uma administração que, apesar das promessas feitas desde seu retorno ao Planalto, não conseguiu conquistar a aprovação da maioria dos brasileiros. O presidente passou quase quatro anos anunciando programas, defendendo a ampliação dos gastos públicos e atribuindo dificuldades econômicas a fatores externos e ao governo anterior. Agora, os números expõem a distância entre o discurso oficial e a avaliação de uma parcela expressiva da população. Com 50% de desaprovação e uma rejeição eleitoral que chega a 51% no levantamento BTG/Nexus, o petista encontra dificuldades para transformar a máquina de comunicação do governo e sua longa trajetória política em apoio popular.
A avaliação qualitativa do BTG/Nexus acrescenta outra dificuldade à estratégia petista. Enquanto 15% consideram a administração ótima e 19% a classificam como boa, 38% escolheram a avaliação péssima e outros 7% responderam ruim. O percentual de eleitores que atribuem a pior classificação possível ao governo é, sozinho, superior à soma das avaliações ótima e boa. Para um presidente que construiu boa parte de sua trajetória política em torno da popularidade pessoal, esse resultado representa um sinal de desgaste que merece atenção, há também uma diferença relevante entre a desaprovação direta e a avaliação qualitativa do governo. Os 50% representam os entrevistados que afirmaram desaprovar a administração, enquanto os 45% de avaliação negativa correspondem àqueles que a classificaram como ruim ou péssima. São perguntas diferentes, e ambas oferecem elementos para compreender a dimensão da insatisfação registrada pelos pesquisadores.
Rejeição de Lula chega a 51% e amplia dificuldades no segundo turno
A situação eleitoral do presidente fica mais complicada quando os números de desaprovação são analisados ao lado dos índices de rejeição. No levantamento BTG/Nexus, 51% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula, enquanto 47% disseram o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. Na comparação com a pesquisa de 28 de setembro, a rejeição ao petista passou de 48% para 51%, enquanto a do candidato do PL recuou de 51% para 47% , o PoderData/AYA apresentou percentuais diferentes para a rejeição dos candidatos, com 46% para Lula e 44% para Flávio. A distância numérica é menor, mas o levantamento também registra rejeição elevada aos dois concorrentes. Os resultados não devem ser tratados como se fossem uma única pesquisa, já que cada instituto utiliza sua própria amostra e metodologia, os levantamentos divulgados nesta terça-feira também colocaram a disputa presidencial sob novos holofotes. No BTG/Nexus, Flávio Bolsonaro aparece com 52% dos votos válidos, enquanto Lula registra 48%. Considerando todos os entrevistados, incluindo brancos, nulos e indecisos, o senador tem 48% das intenções de voto, contra 45% do atual presidente. A diferença está dentro da margem de erro da pesquisa, caracterizando um empate técnico.
O PoderData/AYA encontrou um cenário semelhante, com Flávio registrando 51% dos votos válidos e Lula, 49%. Também nesse levantamento a diferença está dentro da margem de erro. Os dois institutos, portanto, mostram uma eleição apertada, com o candidato do PL numericamente à frente, mas sem uma distância estatística suficiente para estabelecer uma liderança conclusiva, a comparação com o resultado oficial do primeiro turno ajuda a compreender a disputa. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. O resultado levou os dois candidatos ao segundo turno e colocou a campanha presidencial diante de uma nova fase, marcada pela busca de apoios, pela mobilização dos eleitores e pela disputa pelos votos daqueles que escolheram outros candidatos na primeira etapa, para o presidente, a dificuldade é disputar esses votos enquanto metade dos entrevistados desaprova sua administração. O desafio político não se resume à popularidade de Flávio Bolsonaro ou à força eleitoral do PL. Lula também precisa responder à avaliação que uma parcela considerável da população faz de seu próprio governo, depois de quase quatro anos de decisões tomadas no Palácio do Planalto.
Promessas de governo encontram a avaliação dos eleitores
O discurso de reconstrução adotado por Lula desde sua volta ao poder encontra agora um eleitorado que pode confrontar as promessas com a experiência cotidiana. Questões como custo de vida, renda, impostos, despesas públicas e serviços oferecidos pelo Estado fazem parte da avaliação de qualquer administração. Para quem governa, a dificuldade está em transformar indicadores econômicos e anúncios oficiais em uma percepção efetiva de melhora nas condições de vida ,o governo petista apostou em políticas de ampliação de gastos, programas sociais e maior participação estatal na economia. Essas escolhas também abriram discussões sobre responsabilidade fiscal, prioridades orçamentárias e a capacidade de financiar compromissos permanentes. Na reta final do mandato, o debate sobre a continuidade dessas políticas se mistura à cobrança pelos resultados que o Executivo conseguiu entregar.
Depois de quase quatro anos no Planalto, Lula chega ao segundo turno com metade dos brasileiros desaprovando seu governo e uma rejeição eleitoral que supera a de Flávio Bolsonaro no levantamento BTG/Nexus. O petista, que retornou ao poder prometendo melhorar as condições de vida da população, enfrenta agora o peso de sua própria administração. Em vez de concentrar o debate nos resultados de seu mandato, a campanha tem recorrido ao confronto com o bolsonarismo, estratégia que não apaga os índices negativos registrados nas pesquisas. O problema para Lula é que a disputa de 2026 também coloca seu governo sob julgamento, incluindo as decisões econômicas, as prioridades de gastos e as promessas feitas desde 2023. Os números divulgados nesta terça-feira mostram que a insatisfação com a gestão permanece elevada justamente quando o presidente tenta conquistar mais quatro anos no poder.
A série recente do BTG/Nexus mostra que a avaliação negativa da administração já estava em 45% no levantamento do fim de setembro e permaneceu nesse patamar na pesquisa divulgada em 13 de outubro. A avaliação positiva, por sua vez, oscilou de 36% para 34%, variação situada dentro da margem de erro. Os dados apontam uma insatisfação persistente, sem evidência de uma mudança estatisticamente significativa na avaliação qualitativa entre essas duas rodadas, a estabilidade desse quadro tem implicações para o debate eleitoral. Lula chega à última etapa da campanha com pouco tempo para apresentar argumentos novos sobre uma gestão que os brasileiros acompanham desde 2023. As propostas para um eventual novo mandato serão examinadas ao lado do desempenho da administração atual, e a desaprovação registrada nas pesquisas passa a integrar diretamente a discussão sobre continuidade ou mudança no comando do Executivo.
A pesquisa BTG/Nexus entrevistou 2.002 eleitores de 16 anos ou mais, entre 10 e 12 de outubro, por telefone, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07997/2026. Já o PoderData/AYA ouviu 3.000 eleitores no mesmo período, também por telefone, com margem de erro de 1,8 ponto percentual e registro BR-01209/2026, o próximo presidente será escolhido em 25 de outubro. Até lá, Lula terá de enfrentar simultaneamente a disputa com Flávio Bolsonaro, os questionamentos sobre os resultados de sua administração e um dado que nenhum discurso de campanha consegue apagar: nos dois levantamentos divulgados nesta terça-feira, metade dos eleitores entrevistados afirmou desaprovar o governo petista
