O deputado federal André Janones (Rede-MG) não acompanhou presencialmente o debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo na noite desta sexta-feira, 23 de outubro. Enquanto o parlamentar ficou fora do estúdio, sua ex-companheira, Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, apareceu nos bastidores do evento, ela recorreu à Justiça após denunciar o político por ameaças envolvendo fotografias íntimas e conseguiu uma medida protetiva com restrição de aproximação, a presença da prefeita foi registrada em um vídeo publicado pelo senador Wilder Morais e as imagens, divulgadas pelo portal Regionalzão, mostram Leandra ao fundo, na área reservada aos convidados. O registro encerrou a dúvida sobre seu comparecimento, que havia sido discutido durante toda a sexta-feira, depois da notícia de que representantes da campanha de Flávio a convidaram para assistir ao confronto presidencial essa história expôs uma situação incômoda para um dos aliados mais ativos do presidente nas redes sociais. O nome de Janones voltou a circular associado a uma decisão da Justiça de Minas Gerais, e não apenas às publicações que costuma fazer contra adversários políticos. O processo trata de acusações sérias, relacionadas à vida privada de uma mulher que também ocupa cargo público.
Convite colocou medida protetiva no centro dos bastidores
A movimentação começou antes do debate a reportagens do Metrópoles, da CNN Brasil e do UOL informaram que aliados de Flávio Bolsonaro procuraram Leandra para convidá-la ao evento no Rio de Janeiro, segundo essas apurações, a iniciativa tinha um objetivo político claro: criar um obstáculo à presença de Janones, já que uma ordem judicial havia determinado que ele mantivesse distância da ex-companheira, a proposta ganhou atenção porque os candidatos podiam levar convidados ao estúdio, não se tratava de uma discussão sobre quem faria perguntas ou apareceria diante das câmeras, mas sobre o efeito que a presença de uma pessoa poderia produzir sobre a comitiva adversária. A disputa pelos lugares reservados se tornou notícia antes mesmo de o primeiro tema do confronto ser apresentado.
Durante a tarde, ainda havia dúvidas sobre a resposta da prefeita, alguns veículos informaram que ela avaliava o convite; outros chegaram a noticiar uma recusa, mais tarde, porém, o vídeo de Wilder Morais registrou sua presença nos bastidores, confirmando que ela esteve no evento, Janones, por sua vez, não esteve no debate presencialmente e o senador Camilo Santana, integrante da campanha de Lula, declarou à CNN que essa participação não estava prevista e que o deputado faria uma transmissão pela internet para comentar as falas dos candidatos,
Acusação envolve foto íntima e pressão sobre a prefeitura
A origem do caso está em acontecimentos de dezembro de 2024, quando a prefeita denunciou o ex-companheiro à Justiça, os dois mantiveram um relacionamento entre 2014 e 2018 e Leandra também trabalhou como chefe de gabinete do parlamentar antes de assumir o comando da prefeitura de Ituiutaba, município que integra a base política dele no Triângulo Mineiro,segundo a ação, o deputado teria enviado a um secretário municipal uma fotografia íntima da ex-companheira, feita durante o período em que estavam juntos, a denúncia relata que ele ameaçou divulgar outros registros caso não fossem atendidas exigências relacionadas à administração da cidade, a prefeita afirmou que a pressão envolvia a demissão de uma integrante de sua equipe após um desentendimento com uma irmã do congressista esse material relatado pela imprensa inclui mensagens e a descrição de uma imagem enviada em formato de visualização única. A defesa de Leandra sustentou que a exposição de sua intimidade seria usada para constrangê-la e interferir em decisões administrativas. Se comprovada, uma conduta desse tipo ultrapassaria o conflito pessoal: envolveria o uso de conteúdo privado como instrumento de pressão sobre uma autoridade municipal.
A denúncia não ficou restrita a declarações nas redes ela foi levada ao Judiciário com pedido de proteção, baseado na Lei Maria da Penha algumas Reportagens publicadas em abril de 2025 pela Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Metrópoles detalharam o teor da ação e as determinações impostas ao parlamentar mas parte dos autos tramita em segredo de Justiça, na decisão divulgada à época, a Justiça mineira determinou que Janones mantivesse distância mínima de 300 metros da prefeita, de familiares e de testemunhas e também estabeleceu restrições ao contato por qualquer meio, à frequência a locais habitualmente utilizados por ela e à divulgação de fotografias, vídeos ou outras mídias referentes à sua intimidade.
O magistrado identificou, nos elementos apresentados, um possível contexto de violência psicológica e moral, a fundamentação destacou que as ameaças narradas não se limitavam a uma divergência sobre a gestão pública: atingiam diretamente a esfera pessoal da mulher que procurou proteção judicial. A decisão foi uma resposta preventiva ao risco descrito na denúncia, não uma sentença definitiva sobre todos os fatos alegados, o Metrópoles informou ter consultado o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, sem obter esclarecimento afirmando que a medita ainda estaria ativa por causa do segredo judicial
Caso volta à campanha de Lula
O retorno da denúncia ao noticiário acontece quando André Janones ocupa uma função relevante na mobilização digital ligada à candidatura petista, ele administra o canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”, usado para divulgar mensagens, convocações e transmissões durante o segundo turno., a campanha passou a contar com essa estrutura para alcançar simpatizantes e repercutir os debates presidenciais, esse papel explica por que o convite feito a Leandra teve repercussão além de Minas Gerais, a possível ausência de um aliado com grande presença nas plataformas digitais passou a integrar os cálculos dos bastidores eleitorais, Camilo Santana afirmou que a atividade de Janones continuaria pela internet, concentrada em comentários e checagem de declarações feitas no debate.
A proximidade com Lula também amplia a cobrança pública por explicações sobre o histórico do parlamentar, a denúncia feita por Leandra não trata de uma frase ríspida em uma discussão política, mas de supostas ameaças com registros íntimos e de uma tentativa de influenciar decisões da prefeitura e é esse conteúdo, descrito na ação judicial e examinado pela Justiça ao conceder proteção, que dá gravidade ao caso, quando as acusações vieram a público, Janones negou ter enviado a fotografia e disse que o episódio seria resultado de uma armação. Essa manifestação foi registrada pelos veículos que acompanharam o processo e até esta publicação, não foi localizada decisão judicial pública que resolvesse definitivamente o mérito da denúncia. O caso deve ser acompanhado pelos fatos documentados, e não por versões apresentadas como conclusões antecipadas.
Ao final da noite de 23 de outubro, dois acontecimentos estavam confirmados:Leandra Guedes apareceu nos bastidores do debate da Globo e André Janonesnão participou presencialmente do encontroo convite articulado por aliados de Flávio Bolsonaro também foi noticiado por diferentes veículos ,a noticia expõe uma contradição na campanha de Lula ,já que Janones seria a cara da campanha digital de lula, buscando aproximar o presidente a uma nova geração, ao mesmo tempo que estaria repercutindo acusações de um crime grave, ainda mais de um governo que diz proteger as mulheres
